quarta-feira, 30 de setembro de 2009



MEU SEXO SALTA
NA CAMA DOS TEUS OLHOS
DEITA,
SE AJEITA...
SE DELEITA!
MAL_DAMOR
ME PEGOU,
PROVOU,
MISTURA
DOCE
SABOR.
INCENDIADA
MINHA LINGUA
QUEIMA
DERRETE NO TEU CALOR.
MEU CORPO ENTÃO
VERSOU
NAS TEIAS
DA TUA ARTE
AMADOR.
TEMPO CORRE
E EM MIM ESCORRE
O SALIVAR DO DESEJO
E QUANDO VAIS...
EM TRANSE PERMANEÇO
E SEM MAIS...
ADORMEÇO
ENQUANTO
DO RESTO ESQUEÇO!


Karine Gallas

O que os olhos sabem
No corpo padece
Bem aqui na retina da alma
Furtou-se a calma
Atropelando tempo
Amanhecendo desejo
Minhas palavras
Deitadas sobre você
Se confessam...
Sou o que sinto
Levo o que não vejo
Dou o que vivo
Em troca...Recebo o teu beijo
Naquele dia
Entreguei minhas armas
Nos pés da tua cama
Isso me desenha
Na palma da tua mão
Antes de se ver
Depois de se ter
Sob a linha do prazer
Desenha-se o bem querer
Do meu olhar você!
Karine Gallas

sábado, 26 de setembro de 2009



Na boca só o ardor permanece...
Enquanto ensaio o 2º ato!
Atrás da porta da vontade
Um passo permanece intacto.
Está á procura...
Do encontro no olhar alheio
Cheio de uma cor que nem eu mesma sei pintar
Este mald´amor
Este ardor
Poderia ser amor.
Eu sinto
Eu minto
Enquanto tudo queima minha calma.
Espero enquanto tua voz tempera o tempo.
Minha língua se reescreve em tuas mãos
Deita na mesa da tua vontade
E te devora.
Karine Gallas

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ESCREVO-ME



ESCREVO-ME
REINVENTO VERBO
SALTO CERTO
VOCÊ JÁ PERTO
CORPO ARRASTA
INSTANTE QUE SE BASTA
ENGANOS?
PLANOS...
NA TRANSITORIEDADE
TRISTE SAUDADE
É-ME METADE
ANTES DO TER
O QUE HÁ DE SER?
VIVO AOS MEIOS
E DESNORTEIO
PARTE É TODO
PARTE É MEIO
NAS ESQUINAS DESTA VIDA
ENCONTRO JÁ É PARTIDA
VOLTO SEMPRE AO COMEÇO
DE UMA NOVA IDA
O QUE ME LEVA
TRAZ LEVEZA
DESEJOS
PÔE PRATOS Á MESA
FARTURA AOS OLHOS
CÁ DENTRO SOLIDÃO
LIMPA RESTOS
ABRE CORAÇÃO
NESTAS TEIAS
ALIMENTOS CADEIAS
VIDA SEGUE...
PAIXÃO TRANSBORDA
MINHAS VEIAS

Karine Gallas

Nem eu nem tu temos nome!


Teu olhar
Convida-me
Sou corpo inquieto
Chão e teto
Vestida de poesias
Saio às ruas
Esperando mãos tuas
Tocar-me outras melodias
Na mesa farta do desejo
Repouso de bocas nuas
Prepara-se exótico cardápio
Na dança
Paladares
Ensaiam-se
Degustam-se
Saboreando
Receita Agridoce da paixão
Senta-te ao lado
Sirva-se comigo
Temos fome
Nesta mesa sem perdão
Sete pecados sentarão
Nem eu
Nem tu
Temos nome
Karine Gallas

Procuro mais...


Procuro mais
Naquilo que faz
Da língua inferno
No meu corpo inverno...
Ignoro inocência
Pondo fogo a indecência
Seqüestro prazer
Antes de o dia amanhecer
Arremesso minha loucura
Às portas da tua noite escura
Registro seu itinerário
Em meu cego cenário
Deito no leito
Sigo seu passo
Teus segredos em meu peito
Meu prazer em teu laço
Se te entrego fico meio
Se me pegas... Eu pedaço
Então... diga a que veio
Siga sem receio,
Corra em mim sem freio
Deixe-me perdida
Antes de me tocar
Esqueça-se sem medida
Antes de se entregar
Karine Gallas

Sopro suave, tempo, vontade, lamento, saudade...


POEMA FLUTUA
DORME-SE NA CAMA
EU CÁ TODA INSANA
TU AÍ METADE MENS SANA
ESSA VERDADE TUA
POESIA CORRENDO RUA
PONTUA SORRISO
EM VERSO E PROSA
NADA QUE COMPARE
SIMPLICIDADE E ROSA
NO PENSAMENTO ESFRIO
CADA PASSO QUE ESPIO
TUDO QUE CRESCE AGORA
ENFIA-SE EM IMENSO VAZIO
ESCONDO SEGREDO
REGADO DE MEDO
CORPO ALHEIO MEUS OLHOS
SIMPLES_MENTE DEVANEIO
SOPRO SUAVE
TEMPO,
VONTADE,
LAMENTO.
SAUDADE
ME CONCENTRO
NAQUILO QUE CRESCE
QUE ARRANCO DE DENTRO
E LOGO PADECE
SE FIM TEM MEIO
SINTO AMOR QUE NÃO VEIO
AJOELHO E ENTREGO
DESEJO SEM FREIO
HOJE TE NEGO
ANTES QUE MORRA TRISTE AMOR FEIO
MEIOS FICAM ESCASSOS
FINS PERMANENTES
ARRANCO MEUS PASSOS
TRISTES DORMENTES
SILÊNCIO FARTO CALA
AQUELE MAL[D]AMOR
QUE ENFEITA SALA SEM NENHUMA COR

Karine Gallas

O cadeado


ESCREVO
PRA LIMPAR MINHA ALMA
EXPULSAR MEUS FANTASMAS
RESTAURAR MINHA CALMA
PARTO EM BUSCA
DO ESPAÇO QUE ME RESTA
POIS SE PARO A PROCURA
ÓCIO FAZ A FESTA!
NESTA LUTA LIVRE MEU CORPO SE REFAZ
MEXE
REMEXE
ATÉ NÃO PODER MAIS...
DE ALGUMAS LEMBRANÇAS
SOBRAM PEDAÇOS
PARA ALGUNS AMORES
FALTAM ESPAÇOS
SEM TÍTULOS
NEM HOMENAGENS
MEUS PRAZERES
SE AMOTINAM
DOU-LHES PASSAGENS
ESCREVO,
ESCREVO,
ESCREVO...
FAÇO VIAGENS
ABRAÇO OUTROS CORPOS
REPLETOS DE POESIA
FORMO PALAVRAS
NO AVESSO DA MAGIA
INVERTO TEU REFLEXO
DANDO CRIA AO MEU SEXO NESTE PAPEL
SEGURO CADEADO
FECHADO NA MINHA PAZ
PROCURO CHAVE
NAQUELA QUE CHEGA
ME FAZ FELIZ NA ESCRITA QUE TRAZ

Karine Gallas

Sob meu peito danças!


"A vida é a hesitação
entre uma exclamação
e uma interrogação.
Na dúvida, há um ponto final"
(Fernando Pessoa)

Palavras transitam
Sob céu de Setembro
Noite venta lembranças
Aqui dentro só lembro
Sob meu peito danças
Feito criança
Roda,
Roda,
Caio na dança
Acendendo poesia sem fim
Nem recordo mais
Quantos versos rodopiaram
Meu coração assim
Não sei o que há lá dentro
Nem sei se saio ou entro
Essa coisa
Que guardo em mim
Vagueia sem olhos
No escuro do meu chão
Quando me acho
Viro riacho
Água de ribeirão
Deságuo inteira
Meio da solidão
Nada desvia
Míope coração
Espero então...
Vão-se os dias
Semanas,
Meses...
Entre [des]encontrados sins
Doces poemas afins
Chegam-se tuas mãos
Acariciando
Meu frágil teto
Abrigo de poesia tua
Sob telhas de cetim
Tua palavra corre nua
Alcança rua
Solta em mim.


Karine Gallas

S - I - L - V - I - O



Silvio...
Cidadão solto no mundo,
Na cidade.
Sem endereço,
Sem identidade,
Sem berço,
Sem telefone,
Sem título,
Sem parente,
Sem futuro,
Sem presente,
[Com]passado...
Sem pão!
Da sua historia sei não...
Apenas contemplo.
Jeito,
Rosto,
Sorriso,
Falar desconexo,
Olhar perdido,
Destino desconhecido,
Viver convexo.
Perambulando noite e dia
O que antes seria?
Algum dia teria:
Família?
Emprego?
Casa?
Vida vazia?
Silvio...
Sem data,
Sem histórico,
Sem registro,
Se pobre,
Se rico,
Nada parece fazer diferença!
No seu mundo...
O que será que pensa?
E esta chave o que representa?
O que terá sentido?
Andarilho por opção
Ou caminha perdido
solidão!
Meus olhos te captam sempre
Enternecidos pela incógnita do teu mistério

Karine Gallas

Entre tantos retalhos...


Este olho que me vejo
Lascivo fosse
Ao adivinhar
Todo desejo
Fale minha retina:Olha-me menina
Dissimule meu prazer
Neste corpo
Tens meu dizer
Repouso de deleites
Versos a emudecer
Ao te encontrar
Desvelados ficaram meus sonhos
Perderam-se ao procurar
Teus mistérios risonhos
Seu rosto esvaziaSegredos meus.
Noite iluminaPoemas teus.
Num silêncio pactual
Voam-se dizeres,
Palavras,
Prazeres...
Momento factual
Mãos dedilham
Entre tantos retalhos
História real
Sem curvas
Sem atalhos
RevelamosEstações:
Primaveras,
Outonos,
Invernos ,
E verões.
Em nós
Acalantam:
Sentidos,
Esperas,
Motivos...
Após...
Cultivo verbos que te adormecem
Dias adentroAqui em mim se aquecem
Voam por dentro
Soletrando-te
Sempre,
Sempre...
Da mesma maneira
Flor nascente
Meu jardim


Karine Gallas

ENSAIEMOS COREOGRAFIAS
SEXO DE NINGUÉM
SEM RÓTULOS
ESTAMOS ALÉM
SEM NOMES
SOBRENOMES
ACIMA,
ABAIXO,
ENTRE...
SOMENTE O QUE NOS CONVÉM
NOMEIE-ME SEU ALGUÉM
MEIA NOITE VIRA
NOITE INTEIRA
CALANDO VOZ QUE RESTA
GRITANDO
ILUMINANDO NOSSA FESTA
RASGANDO,
CUSPINDO,
JORRANDO POR ENTRE FRESTA
EXPULSA-ME DO CORPO
ENTRE SALTOS DE PRAZER
ENLOUQUECE-ME ATÉ ÚLTIMO SOPRO
ATÉ AMANH[Ã]SER
SEGURA MINHA ALMA
NA PROCURA DA TUA BOCA
RESPIRA-ME A CALMA
INTERNA-ME EM TI ASSIM...LOUCA
TODA FANTASIA
VERÁS QUE SERÁ POUCA
DOU-TE MINHAS ASAS
VOA PELAS PORTAS DO MEU CÉU
ENTRA-SAI NESTAS CASAS
ESCULPIDOS DESEJOS AO LÉU
MINHAS PALAVRAS,
MEU DESEJO,
NADA SE RESUME
E AQUI EM MIM VOCE
É FEITO VAGALUME
ACENDENDO
APAGANDO
INDO E VOLTANDO
NO PENSAMENTO




Karine Gallas

Acinzenta minha feli(z)cidade



O BERÇO QUE DORMES

ACINZENTA MINHA FELI[z]CIDADE

MÃO QUE EMBALA TEU SONHO CHAPADO

ACARICIA TEU VIVER DESAJUSTADO.

NAS ESQUINAS TEU LIVRE PENAR

ANINHA OLHAR

ESFRIA-ME ATÉ CALAR

DESTINO INFELIZ

DAS RUAS APRENDIZ

EIS QUE AMANHÃ

SEM RAIZ

SERÁS O QUE A VIDA DIZ


Karine Gallas

Azul Janela


AZUL JANELA
RISCOU SEM FIM
COR DO SÓ( L ) RISO DELA
CONTRASTE DA PELE MATIZES EM MIM.
AQUILO SUGERE...
AQUARELA!
BOCA CARMIM.
DELA...
NADA SEI!
BEM ME QUER
MAL ME QUER
LINHAS QUE TRACEI
NUM PAPEL QUALQUER
RUA ABAIXO
LUA ACIMA
EM QUE CANTO
EM QUAL ESQUINA
ONDE ESTARÁ?
ELA MULHER
ELA MENINA.


Karie Gallas

domingo, 20 de setembro de 2009


MINHAS PALAVRAS
ABREM-ME
ENTRE ENTÃO...
PASSEIE,
LEIA O QUE NINGUÉM VÊ
QUANDO ENFIM
AQUI ANOITECE VOCÊ
ESTAS PORTAS
MINHAS VEIAS TORTAS
ONDE CIRCULAM
SEUS VERSOS
IDÍLIOS PERVERSOS
DIVIRTA-SE EM MIM
PULSE LÁ DENTRO
ONDE TE INVENTO
FAÇA DE MIM SUA PRAÇA
MINHA CRIANÇA
MINHA GRAÇA
CORAÇÃO
BEIJE MINHA SOLIDÃO
NESTE QUINTAL DE BRINQUEDOS SEUS
TRANSBORDO AO MEIO
NESTES CANTOS RODEIO
SOLETRANDO-TE IDAS E VOLTAS
NESTA CIRANDA
QUE AINDA ENCANTA
DANÇA MEU PEITO
COM_PASSOS SEUS ELEITOS
ANTES DA TUA PALAVRA
EU NÃO SABIA CALAR
ENTÃO TE REVERENCIO ATÉ NÃO TER MAIS O QUE FALAR
ATÉ SABER O QUE ISSO É
ENTREGO-ME AO QUE JÁ É
ALARMES APAGADOS
CAIO NA CHAMA
FOGUEIRA QUE QUEIMA...
LENHA DE VOCÊ
MOLHADA COM SAL
LÁGRIMA QUE ESCORRE
HÁ DE APAGAR FOGO QUE CORRE
PRA QUE NÃO MAIS QUEIME
PRA QUE NÃO MAIS TEIME
SEJA LÁ O QUE FOR
QUE CONSOME,
QUE COME,
ÀS PRESSAS .......
DEVAGAR,
MEU PENSAR,
SEM PARAR.
UM DIA PRA BEM LONGE IRÁ
MENINA NÃO SE PERGUNTE
POR QUE DISSE NÃO
NO MEIO DO SEU NÃO
EU TIRO MEU PÃO
QUER SABER ?
POESIA É ASSIM
VIVER
E DEPOIS SER
O QUE NEM EU NEM VOCÊ
PODER[I]A TER.
ENTÃO VAI VER
VAI COLHER
FLORES EM MIM
DO JARDIM SEU
DO QUE EM MIM QUASE MORREU
SAIA FECHE A PORTA
APAGUE A LUZ
VOCÊ QUE SAI ERA O QUE SEDUZ

Karine Gallas

Cinéticas alteradas... sigo desafinada!


Ouço-me...

Sou aquela canção

Que na calçada da noite

Abandona-se calada

Em cinéticas alteradas

Sigo desafinada.

Letras a quem chamo saudade

Coleciono-as!

Este vazio adoece alma

E a minha calma...?

Agita-se,

Senta-se,

Sente-se!

Espera não sabe o quê

Talvez o que não vê!?

Tablatura sem instrumento

Entre partitura sem cifras.

Um lamento

Vem dias...

Cem dias?

Cá vou desarmonizada

Entre_tantos sons

Quede meu verdadeiro tom?

Encontro-me num vácuo de silêncio

Algo inaudível

Sou qualquer coisa diáfana

Que vem e fecha

Arrebata-me

Pra devagar seguir-me.

Corro entre quatro paredes de mim

Segredos são pra quantas paredes?

E quando noite se chega

Improviso-me num nocturno

E sem notas novamente acho-me.

Nada é intacto,

Tudo pedaços

Pés descalços.

Por dentro sou rebentação

Sou alguma não identificada canção

Minha imaginação

Sobe muro alto da aflição.

Cansam meus braços

No espaço

Nesta volta que não fará

Não saberá

Sob corpo dela se perpetuar

Neste ar existente entre nós

Só o silêncio é tudo de mais alto a captar.

Naquele olhar

Perdi-me!

Recitei-me em dívidas

Nos versos do uni_verso.

Inverti o real

Nas cortinas deste ato Bicho_animal

Fragmentos diz_junto

Pupilas num silêncio mortal

Fechando as portas

Do músculo alterado

Bate,Bate,Saudade!

Agora só tu me sabeExplicar...

O que se dá?

Ambiciono espaço em branco

Onde não escreva você

No mais é tudo vazio

Tingindo a paisagem.

Forjada felicidade

Rondando meus lábios

Sob discretos sorrisos

Enfeito-me.

Minhas preces

Batem em retirada

E fico eu...

Fica você

Aqui do lado de dentro

Mexendo por fora

E fixo sem saber

Se saio ou entro...



Karine Gallas

Entre mãos e letras dançam as ilusões



Minhas mãos
Dançam sob letras
Pré-fabricadas ilusões
Teclados a meia distância
Alucinações!
Alheias ao nada
Enganam-se com minha amada
Traçam destinos absortos
Sob linhas e espaços
Vão-se poemas e poetas mortos
Renasço do barulho que sopra
Minha cama vazia
E tudo sobra...
Encantamentos!
Sob cinzas de cigarros
Vão-se momentos,
Esfumaçam-se Pensamentos.
Trazem por vezes divertimento
Noutros só_fri[o]_[la]mento.
Inverto artigos,
Somo adjetivos
Tentativa negando objetivos
Nada me convence
Em tudo mora
Ela...
Não faltam motivos
Pra falar
Nela...
É assim meu levitar
Meu poetar,
Meu cantar,
Meu lamentar.
Por mais que não queira
Caio no lastro
Deste som que me leva casto

Karine Gallas

Nada de Pressa


Nada de pressa
Nenhum dia me tira desta calma
Pois minha alma
Está imersa
No doce embalo destas ondas.
Faz de contas
Deixe-me aqui
Deixe-me ir
No abraço deste mar
No cansaço do verbo amar
Neste caminho já me perdi
Ainda me perco,
Sempre me perderei
Sem remos,
Com ou sem ventos a favor
Apenas vou.
E se me achar
Nada de voltar
Sou vela aberta
No mar do teu olhar.
Esse verbo a me guiar
Talvez chegue perto
Das respostas,
Da porta,
Da mesa posta pra dois
Meu dia vai
Meu amor se foi
Teu olhar se esvai
Longe... E depois?
È me lembrança
Passos da velha dança
Que vira mexe me alcança
Balança-me!
Como as ondas do mar.
Pra nunca mais voltar


Karine Gallas

Se conto os dias
Conto um ponto
Se conto os pontos
Longe de fadas me encontro
Minha liberdade é poesia sitiada.
Nas esquinas destas linhas interditadas
Bebo-me!
Eu te vejo e te sinto
Adoça-me desejo absinto
Fada verde
]Quero ver-te,
Em poesia ver_ter-te !
Desnuda-me os sete véus
Das palavras que desconheço
Traz de volta meu endereço
Neste rio que ocultei sob teus pés
Batiza-me
Pois nele deslizam meus poemas
Fogem de encontro a outras marés
E se não te falo
É por que o som que escorre da tua tez
Entorpeçe-me de vez
Assim mudo de rumo, me calo!
Por_tanto temas in_vento
Me distraio
Voam sortimentos
Ou seriam Sentimentos?
E assim... do avesso saio
Esse suspiro que abre os braços
Cerra os olhos da pressa
Meus passos vamos nessa?
Espantem estas vozes ocultas que carrego
De sons que não conheço
Que não compus
Que não nego
E que te expus.
Sob esse jus
Ponho coração em ritmo de pandeiro
Marcando batuque do samba verdadeiro
Samba não é a tristeza que balança?
Então entro na dança
Me desafi[n]o aqui, ali, acolá...
Essa é a minha língua
Ela ainda irá me levar....
Ela ainda irá matar a sede
Nas fontes,
Na rede.
Embriago-me
Bebo a dor
Ninguém a toque
Pois ela mora comigo
E comigo sei que mo[rr]e
Nas linhas que me vou
Ela há de perder-se
Ela há de verter-se
Sob meus olhos anestesiados
Goles exagerados
Beijo de fada verde
Absinto
Vou esquecer-te
Não minto.

Karine Gallas

Bicho-Homem



Bicho-homem-cão
Salta como seus ancestrais
Desliza por entre porretes nas mãos
Sua couraça de ladrão agüenta mais
Couro encardido
Soma seu roteiro sofrido
Pés mais que ligeiros
Saltita mais que bicho em cativeiro
Salta cacos, salta pedras
Pra que te quero pernas?
Pula ,dois, três, quatro buracos
È um contra quatro
Olhos fixos no próximo ato
Nada consegue detê-lo
Todo corpo sustenta maltrato
È o retrato do desmantelo
No vôo sob sua presa
Sequer imaginava
Seu destino se fez surpresa
Na corrente da “lei” agora estava
Pequeno homem bicho
Por míseros trocados
Agora entre lixo
Seus dias estarão fechados
No rosto dos que passam
Todos dizem: Pega ladrão....
Da garganta mais dura salta: Deve morrer sem perdão
Mas naquele bicho homem
Vê-se a imagem do mundo cão
Rouba, mata mais pelo seu ontem
Vingando-se no fundo das indiferenças à sua real situação
Todo processo não passa de mero coletivo descaso
São fiéis retratos da miséria que temos
Excluídos por nós “jogados” à sorte do acaso
Sendo assim....
Miseráveis sempre teremos.

Karine Gallas

Na mesa as ofertas do dia...


VIVER
CON(VIVER)...
ESTES PEDAÇOS DE DIAS
DIAS AOS PEDAÇOS
CONVIDA(R)......IR-SE
EXISTIR-SE
NADA DE FAVOR.
ESCREVO (S)EM COR
TODO ESSE ARDOR
PINTO A DOR COM OLHOS DE AMOR.
VÃO SE OS PLANOS
POUCOS E MUITOS DANOS.
ÀS VEZES ATÉ ME DANO...
SEM MEDO,
SEM POESIA
ATÉ NASCER DIA.
PARIR AO CONTRÁRIO AS MANHÃS
DESCREVER ESTES IMÃS
QUE ME ATRAEM
E ME TRAEM.
PRESERVAR-SE
É PERDER-SE
DEIXAR-SE
É SIMPLESMENTE ACHAR-SE
NADA DE ECONOMIA
NA MESA DAS OFERTAS DO DIA.
ATIRO-ME EM PEDRAS
COLHEITO-ME CHÃO E MEU DIA DE CÃO
RENASCE CADA VEZ MAIS....
MENOS IRMÃO,
DAS MINHAS PALAVRAS
DOS MEUS NÃOS.
FAÇO ASSIM MEU SERMÃO
E ME CONFESSO.

Karine Gallas

Só Meus!



Na roda_viva da vida:

RODA EU

RODA TU

ORA KAKA

ORA LULU...

Roda mundo, roda-gigante

Roda-moinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração ...

Nas tabelas dessa “vidinha” eis que se tabela tudo:

Nascer, comer, viver, morrer...

Mas Na vida não tem preço

AMOR...

Descompromissado,

Desimpedido,

Desmedido,

Intrometido,

Assim bem valido,

Bem vivido!!!

Sem rastros de laços sangüíneos,

Apenas escolhas de passos juntinhos.

Os afetos entre eu e tu

Voam como passarinhos,

Estão sempre à sombra de uma grande asa,

Sempre de volta pra casa.

Nesta estrada que cruzamos

Impossível dizer que não nos amamos.

Risco de tantas histórias

Já fazem nossas páginas,

Ditam nossas glórias!

Só minha,

Só tua, nossos dizeres

São todos...

“Só seus”/“Só meus”

Momentos que nunca terão outra tradução:

AMOR


Karine Gallas

Quebrantou-me!


Mora em mim vozes em silêncio
Sinto-as como linhas
Tão sutís...
Meus ardis !
IMPERCEPTÍVEIS como o ar
INCONFUDÍVÉIS como teu poetar
Ausência!
Poeira das sílabas
Misturo-as em mim
Poemo assim
Escrevo-me
(D)escrevo-te
Descubro-me
Escondo-te]
Nenhuma palavra
Arranca-me da boca
Este verbo inconjugado
Mal acostumado
A não ter
Não ser...
Definha
Minhas linhas.
E vou-me
Nas ondas que vinhas]
Mar briga com vento
Quebra barco
Quebra-cabeça
Quebrantou-me.


Karine Gallas

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Não me leve á mal...



Ateei fogo à solidão da minha boca
Soltei as amarras da língua louca
Que queime no verbo impróprio
E se embriague de algum ópio
Trafego mesmo na contramão
Meus ponteiros eu seguro na mão
Por dias ando na margem do mundo cão
De um limite inexistente na razão
Quero mesmo é percurso sem mapa
Roteiro sem capa
Cão com fome... lata_vira
Na roleta russa dos meus versos mundo gira
Sem hora pra ser
Nem sentido fazer
Pra mim,
Pra você.
Lanço ao vento desnudo
Todo despudor do meu verso mudo
Quero a insanidade do cio
Transitar nas paredes do pecado que renuncio
Daqui em diante
Rasguei manual
Sou apenas usual
Neste mundinho insano vou e não me leve a mal....
Karine Gallas