
Bicho-homem-cão
Salta como seus ancestrais
Desliza por entre porretes nas mãos
Sua couraça de ladrão agüenta mais
Couro encardido
Soma seu roteiro sofrido
Pés mais que ligeiros
Saltita mais que bicho em cativeiro
Salta cacos, salta pedras
Pra que te quero pernas?
Pula ,dois, três, quatro buracos
È um contra quatro
Olhos fixos no próximo ato
Nada consegue detê-lo
Todo corpo sustenta maltrato
È o retrato do desmantelo
No vôo sob sua presa
Sequer imaginava
Seu destino se fez surpresa
Na corrente da “lei” agora estava
Pequeno homem bicho
Por míseros trocados
Agora entre lixo
Seus dias estarão fechados
No rosto dos que passam
Todos dizem: Pega ladrão....
Da garganta mais dura salta: Deve morrer sem perdão
Mas naquele bicho homem
Vê-se a imagem do mundo cão
Rouba, mata mais pelo seu ontem
Vingando-se no fundo das indiferenças à sua real situação
Todo processo não passa de mero coletivo descaso
São fiéis retratos da miséria que temos
Excluídos por nós “jogados” à sorte do acaso
Sendo assim....
Miseráveis sempre teremos.
Karine Gallas